CATINGAL TERRA DO UMBU

O POTENCIAL DO UMBU

O umbu pode ser melhor aproveitado, agregando valor
e gerando mais emprego e renda.
O umbuzeiro foi batizado por Euclides da Cunha em, Os Sertões, como uma árvore sagrada da Caatinga. Graciliano Ramos também o descreve reportam a árvore nas suas
produções literárias.
Sob o sol intenso do semi-árido nordestino, o umbuzeiro resiste e suas raízes chamadas de batata que já serviram para alimentar muitos retirantes em períodos de seca quando a alimentação escasseia e a fome campeia. agregam valor a renda familiar da população mais pobre do Sertão.
O umbuzeiro ou i m b u z e i r o , S p o n d i a s t u b e r o s a , L . , D i c o t y l e d o n e a e, Anacardiaceae, é originário dos chapadões semi-áridos do Nordeste brasileiro; nas regiões do Agreste (Piauí), ombu, corruptelas da palavra tupi-guarani "y-mb-u", que significava "árvore-que-dá-debeber". Pela importância de suas raízes foi chamada "árvore sagrada do Sertão" por Euclides da Cunha.
O umbuzeiro é uma árvore de pequeno porte em torno de 6m de altura, de tronco curto, esparramada, com diâmetro de 10 a 15m projetando sombra densa sobre o solo, vida longa (100 anos), é planta xerófila. Suas raízes superficiais exploram 1m de profundidade, possuem um órgão (estrutura) - túbera ou batata – conhecido c o m o x i l o p ó d i o q u e é constituído de tecido lacunoso que armazena água, mucilagem, glicose, tanino, amido, ácidos, entre outras.
Esta árvore, com sua folhagem em forma de guardachuva, têm um sistema especial de raízes que formam grandes tubérculos capazes de armazenar até 3.000 litros de água durante a estação das chuvas, de modo que pode resistir a longos períodos de seca. Um importante recurso.
O caule, com casca cor cinza, tem ramos novos lisos e ramos velhos com ritidomas pode iniciar-se após as p r i m e i r a s c h u v a s (chamadas de cambueiras d o s u m b u s ) , independentemente da p l a n t a e s t a r o u n ã o enfolhada; a abertura das flores dá-se entre 0 hora e quatro horas (com pico às 2 horas). 60 dias após a abertura da flor o fruto e s t a r á m a d u r o . A frutificação inicia-se em p e r í o d o c h u v o s o e permanece por 60 dias. A s o b r e v i v ê n c i a d o umbuzeiro, através de tantos períodos secos, deve-se à existência dos xilopódios que armazenam reservas que nutrem a planta em períodos críticos de água.
O u m b u z e i r o cresce em estado nativo, nas caatingas elevadas de ar
seco, de dias ensolarados, e noites frescas. Requer clima quente, temperatura
entre 12ºC e 38ºC, umidade relativa do ar entre 30% e 90%, insolação com 2.000 - 3.000 horas/luz/ano e 400mm a 800mm de chuva ( e n t r e n o v e m b r o e fevereiro), podendo viver em locais com chuvas de 1.600 mm/ano. Vegeta bem em solos não úmidos, profundos, bem drenados, que podem ser arenosos e silico-argilosos. Evitar
plantio em solos que e s t e j a m s u j e i t o s a o encharcamento.
A propagação do umbuzeiro pode ser feita através da semente, de estacas de ramos: estacas do interior da copa da planta são colhidas entre os meses de maio e agosto; devem ter 3,5 de diâmetro e comprimento entre 25cm e 40cm. As estacas são postas a enraizar (brotar) em leitos de areia fina ou limo, enterradas em 2/3 do seu comprimento, em posição inclinada; a estaca também pode ser enterrada no local definitivo de plantio.
P r o d u ç ã o d e mudas via enxertia: método e m experimentação/observaçã o ; t r a b a l h o s d o I PA (Pernambuco) asseguram êxito na obtenção da muda por enxertia via método j a n e l a a b e r t a ; a E M B R A PA / C PAT S A obteve 75% de "pega" em
enxertos de garfos de umbuzeiro sobre cajazeira (Spondias lutea). Não há r e g i s t r o s d e frutificação/produção de frutos dos enxertos.

Plantio

Fazer o plantio no início da estação chuvosa. Retira-se o saco plástico ou outra embalagem que envolve a muda. Plantar no centro da cova, sem abafar o tronco com a terra. Apertar a terra levemente ao redor da muda e regar bem.
O umbu é muito apreciado pelos animais, que se alimentam da planta e dos frutos.
Na alimentação humana, os frutos são consumidos ao natural e processados na forma de polpa, geléia, doces, sorvetes, sucos e néctares. O rendimento em polpa é de 50 a 60 % do fruto.
Na região de Jequié é muito apreciada a umbuzada feita de umbu e leite, que é uma espécie de vitamina. O doce feito do umbu verde é produzido ainda de maneira rudimentar como faz D. Helena Ribeiro de Novaes que cozinha os umbus ainda com casca, depois põe na peneira e amassa com uma colher de pau. Em seguida pega a massa e coloca num saco de pano e joga água até tirar o azedo e pega a massa e põe em uma panela com açúcar para produzir o doce de corte.


Colheita / Comercialização

O pé franco do umbuzeiro inicia produção a partir do 8º ano de vida. A maturação do fruto é observada quando a cor da sua casca passa do verde ao amarelo. Maduro o fruto cai ao chão; devem-se preferir frutos arredondados e com casca lisa. A c o l h e i t a é f e i t a manualmente, e os frutos são colhidos "de vez" para facilitar o transporte. Para consumo imediato o fruto é colhido maduro; para transportar colher o fruto "de vez". Cada planta pode produzir 300kg de frutos/safra (15.000 frutos). Um hectare com 100 plantas produziria 30 toneladas.
O comércio é feito à beira das rodovias, em mercados e feiras, e os frutos são vendidos por volume, quilo ou dúzia. Em Jequié na época da comercialização do umbu na maioria das esquinas do centro da cidade se o b s e r v a u m v e n d e d o r comercializando o fruto em litros de alumínio ou toucas.
A comercialização é feita também diretamente com os atravessadores nas comunidades rurais, quando os frutos são colocados em caixas ou sacos e levados para as despolpadeiras e para os centros consumidores.
O rendimento por hectare varia com a idade e densidade de plantas, com a condição ambiental e a genética das plantas. De um modo geral uma planta pode produzir de 50 a 300 kg de frutos.

Utilidades do Umbuzeiro

O umbuzeiro foi considerado como a árvore sagrada da Caatinga pelo
escritor Euclides da Cunha.
Vários órgãos da planta são úteis ao homem e aos animais:
Raiz - Batata, túbera ou xilopódio é sumarenta, de sabor doce, agradável e comestível; sacia a fome do sertanejo na época seca. Também é conhecida pelos nomes de batata-do-umbu, cafofa e cunca; criminosamente é arrancada e transformada em doce - doce-de-cafofa. A água da batata é utilizada em medicina caseira como vermífugo e antidiarréica. Ainda, da raiz seca, extrai-se farinha comestível.
Folhas - Verdes e frescas, são consumidas por animais domésticos (bovinos, caprinos, ovinos) e por animais silvestres; ainda frescas ou refogadas compõem saladas utilizadas na alimentação do homem.
Fruto - O umbu ou imbu é sumarento, agridoce e quando maduro, sua polpa é quase líquida. É consumido ao natural fresco - chupado quando maduro ou comido quando "de vez" - ou ao natural sob forma de refrescos, sucos, sorvete, misturado a bebida (em batidas) ou misturado ao leite (em umbuzadas). Industrializado o fruto apresenta-se sob forma de sucos engarrafados, de doces, de geléias, de vinho, de vinagre, de acetona, de concentrado para sorvete, polpa para sucos, ameixa (fruto seco ao sol). O fruto fresco ainda é forragem para animais. 60 dias após a abertura da flor o fruto estará maduro. O umbu possui metade de vitamina C do suco de laranja.
A resistência à seca é a principal característica do umbuzeiro. É na raiz que se encontra o cheropódio, uma espécie de batata que armazena água utilizada pela planta nos períodos mais secos. Um umbuzeiro adulto vive em média 100 anos e pode até armazenar dois mil litros de água em suas raízes.


Catingal: a terra do umbu

De dezembro a fevereiro é a época de colher o umbu dos umbuzeiros em Catingal, mas o ponto forte do extrativismo é entre 20 de dezembro e 20 de janeiro segundo o produtor rural Adelino Tiburtino Pereira, conhecido por Lino. A fruta representa uma renda extra para as famílias dos agricultores e moradores da região, mas se houvesse uma infrae s t r u t u r a d e t r a n s p o r t e e despropadeiras o aproveitamento seria muito maior e poderia está gerando muito mais recursos financeiros para todos os moradores da região.
A reportagem da COTOXÓ constatou no último dia 23 de janeiro na região do Olho ´Água, área próxima de Catingal, que muitos frutos maduros do umbuzeiro estavam espalhados pelo chão, perdendo por falta de transporte para carregá-los.
A venda do umbu cai de preço ao longo de sua coleta na região de Catingal. No início, por volta do meado de dezembro, o valor de um saco chega a R$ 30,00. Depois diminui para R$ 25, R$ 20, R$ 15 e chega no final da safra por R$ 13,00. O que parece paradoxal dentro da lei da oferta e da procura pode ser explicado pelo fato de quando está diminuindo a coleta de umbu na região de Catingal começa a grande coleta nas regiões de Monte Branco e da Barragem da Pedra cujos frutos amadurecem no curto espaço de tempo posterior aos de Catingal. Além disso, quem acaba tendo altos lucros com a coleta dos frutos dos umbuzeiros são os atravessadores, que compram por um valor baixo e vendem por valores elevados.
"Uma coisa me intriga é esta: o dinheiro arrecadado na época do umbu fica, em sua maioria, nas mãos dos atravessadores e quem mais sofre para retirar o umbu são os catadores que vão para o campo, sofrem em cima dos umbuzeiros e ganham mixarias. Os atravessadores que ficam de braços cruzados é quem mais ganham, cobrando altíssimas porcentagens só para empreitar o umbu", afirma um catador de umbu da região.
No período da grande coleta em Catingal chega-se sair deste distrito de Manuel Vitorino cerca de 4 carretas diariamente de sacos de umbu, que são comercializados pelos atravessadores.
Para evitar o esquema dos atravessadores os catadores de um de Catingal e da região os catadores poderiam criar de uma cooperativa do umbu, que pudesse vender o fruto diretamente para o comércio ou as fábricas de polpa ou montassem despropadeiras que aproveitassem melhor o fruto e vendessem diretamente para o mercado consumidor, o que iria agregar mais valor.
Catingal é a terra do umbu. De acordo com Adelino Tiburtino Pereira ( Lino) em Olho Água, por exemplo, em uma só hectare existem cerca de 30 umbuzeiros.

Um umbuzeiro no centro de Jequié

Em pleno centro da cidade, o umbuzeiro, típico de Jequié embeleza e é o
único que ainda existe nesta área urbana.
Onde está situada a área urbana de Jequié havia uma quantidade imensa de umbuzeiros. Com o desmatamento para loteamento d e c a s a s r e s i d e n c i a i s e estabelecimentos comerciais muitos "pés" de umbu foram destruídos.
Um umbuzeiro nasceu em pleno centro de Jequié. Ao lado do prédio da nova Biblioteca Municipal Newton Pinto de Araújo, na Rua Barbosa de Souza, os frutos verdes do "pé" de umbu já aparecem.
O setor de Parques e Jardins, responsável pela arborização de Jequié, poderia plantar umbuzeiros em várias partes da cidade, que está situada em uma área semi-ária cujo "pé' de umbu é das representativas das espécies nativas da região. O empresário Ostílio Simões está plantando umbu em sua propriedade rural, que fica próxima à Fazenda Provisão. Exemplo que deve ser seguido por outros proprietários rurais.

Pesquisa sobre o Umbu na região de Manoel Vitorino

A pesquisa refere-se a safra de umbu de 2005/2006 Quantidade de carros utilizados para retirar a safra: 504 Numero de sacos retirados: 95.656 Peso médio do saco: 50 Kg
Peso total dos sacos retirados:
4.776.960 Kg Media de compra por saco: R$ 10,96 Media de venda por saco: R$ 24,01 Valor compra total da safra: R$ 1.023.560,00 Valor venda total safra: 2.276.853,00 Os povoados que colhem a maior quantidade de Umbu são: Anta Gorda e Lavandeira.
Outros povoados que colhem umbu:
Ribeirão dos Peixes, Mamonas, Lagoa da Pedra, Pombas, Beira do Rio, Pedras, Jequiezinho, Barra da Purificação, Lagoa Linda, Santa Maria, Caititu, Queimadas, Salgado e sede do município.

Os povoados que não colhem Umbu são:
Serra, Feirinha, 21, Mato Cipó.
Destino da Produção: Salvador, Sergipe, Feira de Santana, Itabuna, Jequié, Ipiaú, Valença, Ubatã, Ibirataia, Ubaitaba, Nova Sôres, Ilheus.
Economia: Gira a mais no município o montante de R$ 2.276.853,00.

Fonte: Domingos Ailton/ Revista Cotoxó
Colaborador: Charles Meira
Digitação e Diagramação p/ Internet: Levy Barros/Portal Catingal